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17/03/2015

Hoje, até 95% de um veículo pode ser reaproveitado de forma segura e sustentável. A reciclagem de automóveis de forma sistêmica, realidade nos Estados Unidos, Europa e Japão há anos, está longe de acontecer por aqui, onde apenas 1,5% dos carros que saem de circulação são reciclados, de acordo com o Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata Ferrosa e Não Ferrosa do Estado de São Paulo (Sindinesfa). No Brasil, aproveita-se apenas 5% do potencial de um veículo em processo de desmontagem. Com a implementação da Lei do Desmonte nº 15.276/14, que regulariza o desmanche de veículos, surge um mercado ainda pouco explorado que possibilita ao consumidor, a garantias de peças com origens comprovadas.

Muitos veículos acabam em desmanches e aterros, na maior parte das vezes ilegais, colocando em risco a natureza devido ao descarte inadequado de peças e resíduos. Se considerarmos que, no Brasil, existem quase 10 milhões de carros em situação de reciclagem, é um espaço do mercado a ser desbravado.

De olho nesse nicho, a Renova Ecopeças, empresa do Grupo Porto Seguro, sai na frente e apresenta um modelo bem organizado de se trabalhar, de forma responsável e sustentável, dentro do segmento de reciclagem e reaproveitamento de peças e componentes automotivos.

Em funcionamento há menos de um ano, com início da montagem de estoque e aprimoramento dos processos em janeiro de 2013, e operação comercial em atividade a partir de junho de 2014, a empresa oferece peças usadas com qualidade, garantia e baixo custo, além de seguir um rígido padrão de responsabilidade ambiental na desmontagem e destinação correta dos componentes que não podem ser reaproveitados.

O diretor da empresa Bruno Garfinkel salienta que todo o material em que não seja possível aplicar o conceito de reuso, é encaminhado para reciclagem (metal, vidro, plástico etc) ou para aterros sanitários regulares e que estejam de acordo com as exigências ambientais vigentes. “Queremos compartilhar essa visão ambiental do negócio com outras empresas do segmento. Nossa ideia é estimular que outros façam como nós. Quem ganha é a sociedade como um todo!”, ressalta o executivo.

Operação modelo

Antes de iniciar a operação, a Renova Ecopeças fez uma pesquisa nos países e mercados onde a reciclagem automotiva já está estabelecida. Foram analisados os modelos do Japão, EUA, Espanha e Argentina e, atualmente, a empresa reúne as melhores práticas desses países em uma única operação. Atualmente, a empresa desmonta cerca de 300 automóveis por mês, durante um turno de trabalho. Segundo Bruno Garfinkel, “Temos potencial para desmontar 1.500 carros por mês, em três turnos diários”, projeta. Porém, a empresa ainda passa por uma curva de aprendizado para aprimorar suas condições de layout e estocagem, alcançando atualmente a desmontagem de 300 veículos por mês.

O Grupo Porto Seguro registra, por mês, cerca de 3.200 veículos com indenização total. Desses, 1.800 pertencem a Porto Seguro, 1.000 à Azul e 400 à Itaú Seguros. O objetivo é fazer a reciclagem de 100% dos veículos salvados irrecuperáveis de São Paulo. Espaço suficiente para isso existe: hoje são 6.300 metros quadrados de área útil, com potencial de expansão de até 40 mil m2 . O projeto foi desenhado para economizar o máximo de energia possível. Para tanto, a Renova utiliza em sua operação telhados translúcidos e ferramentas acionadas por ar comprimido. Na operação também não há consumo de água. As peças são lavadas em uma máquina de ciclo fechado com um detergente biodegradável, que pode ser reprocessado e reutilizado por repetidas vezes.

Limpo como um piso de hospital, o galpão é dividido por setores e as instalações seguem critérios baseados no que de melhor oferece o modelo americano “que não é tão ecológico quanto o nosso” e no que tem de melhor do europeu “que é muito automatizado”, conforme salienta Garfinkel. “Nosso modelo é economicamente viável e automaticamente avançado com um padrão de qualidade indiscutível”, argumenta o executivo.

Veículos que possuem pendências legais ou procedência duvidosa são descartados automaticamente (os carros reciclados pela empresa são somente aqueles declarados irrecuperáveis, com final de vida útil). Quando há o pagamento de uma indenização integral, nas situações em que o veículo é recuperável, ele continuará sendo vendido em leilão.

Passo a passo inteligente

O processo é feito por etapas. Antes da desmontagem propriamente dita, é preciso que o veículo seja submetido a um processo de descontaminação. A reciclagem veicular começa efetivamente pela extinção dos agentes perigosos em potenciais que podem causar impactos negativos durante o processo. Nesta etapa, todos os óleos, gases, sobras de combustível e outros fluidos são retirados de forma segura, sem que haja contaminação do meio ambiente, e encaminhados para empresas especializadas em reciclagem, processamento e transformação de cada um dos resíduos, possibilitando seu reaproveitamento em diversos segmentos e aplicações.

Depois disso, é hora da remoção das peças: partes móveis da lataria, tapeçaria, vidros, componentes mecânicos, itens de segurança, componentes elétricos e eletrônicos e, finalmente, o recorte do monobloco. Em seguida, passam por uma triagem técnica, realizada por uma equipe especializada, para classificação quanto à qualidade dos itens, ou seja, condição de reaproveitamento.

A partir de um padrão internacional, são subdivididas em três categorias. Na categoria A entram as peças em perfeito estado, prontas para reuso. Na B, as peças com danos leves e pequenas avarias estáticas, que serão vendidas por um valor menor. Todas as outras peças que não podem ser reaproveitadas, entre elas itens de segurança e as baterias, por exemplo, são classificadas como peças C. Rejeitadas pelo processo de qualidade, esses itens não são comercializados e são enviados aos fabricantes para remanufatura ou seguem para reciclagem sendo transformados em matéria-prima.

As peças aprovadas na triagem são identificadas e recebem uma etiqueta que garante sua procedência, rastreabilidade e histórico. Uma das inovações é a marcação com microdots, uma identificação por micro pontos, invisíveis a olho nú. Esta tecnologia, baseada na nanotecnologia, cria uma marcação única, inviolável, e que não danifica nenhuma peça. É só após a marcação que ela ganha uma nova nota fiscal.

O último passo é a etapa de expedição e de venda. A comercialização é feita para qualquer comprador, pessoa física ou jurídica, pela loja presencial (balcão de varejo) e pelo canal virtual (loja na web). Há também um canal para pessoas jurídicas (B2B), como oficinas. Para clientes institucionais, como montadoras e também oficinas reparadoras, que já estejam buscando soluções ambientais e aprimoramento da gestão de resíduos, a Renova oferece a gestão para “logística reversa” ou descarte controlado. “Temos um estoque silencioso: uma boa alternativa para o consumidor de peças usadas originais”, ressalta o executivo.

Precificação

 De acordo com o diretor Bruno Garfinkel, o modelo de precificação da Renova Ecopeças foi desenvolvido com base na pesquisa de mercado, que engloba a análise de preços dos desmanches, das concessionárias e das seguradoras. Uma peça comercializada no balcão de uma concessionária, por exemplo, custa R$ 1.000,00. Na maioria dos desmanches, essa peça custará R$ 350,00. Já as seguradoras oferecem aproximadamente 30% de desconto, ou seja, a mesma peça custaria R$ 700,00.

Para as peças classificadas como A, que se encontram em perfeito estado, a prática é 50% do preço referência das seguradoras. Para as peças classificadas como B, com pequenas avarias, a empresa cobra 40% do preço referência das seguradoras. Já a comparação com as peças paralelas não é possível fazer. Elas não têm um preço fixo, já que variam de acordo com o país em que foram produzidas.

As peças Renova não podem ser revendidas para terceiros. O processo de rastreabilidade das mesmas aplicado pela empresa elimina possibilidades de fraudes. Ou seja, o cliente, seja consumidor final, oficina reparadora ou revendedor, recebe a peça com todo esse sistema de identificação e rastreabilidade de origem. O comprador final, por meio deste sistema, sabe todo o histórico da peça e seu veículo original, inclusive, pode checar pelo smartphone o documento de baixa no Detran e ver a foto do carro reciclado, de onde a peça for retirada.

Geração de empregos

Atualmente, a Renova Ecopeças possui 25 colaboradores, com funções que vão desde a gerência até coordenações comerciais, administrativas, de operações, vendedores, especialistas em peças e mão de obra recrutada no Senai, que é a responsável pela desmontagem dos veículos.

Com essa mão-de-obra especializada, o objetivo é formar um processo de desmontagem eficiente e multiplicar o conhecimento, expandindo o recrutamento para unidades mais carentes. Na administração, a equipe já está formada, mas para a área comercial, o objetivo é chegar a 15 funcionários. Para o setor de desmontagem, atualmente a Renova tem 15 funcionários e a ideia é alcançar 40 em cada turno, chegando a 120 pessoas.


Fonte:
Planeta Seguro
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