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14/07/2015

Em São Paulo, uma lei que regulamenta os desmanches contribuiu para reduzir os furtos e roubos de veículos neste ano. Com isso, empresas como a Porto Seguro reduziram o preço de algumas apólices.

Com nova lei, seguradoras projetam queda em furtos e roubos, o que reduziria o preço das apólices.

A regulamentação do mercado de desmanche de veículos, feita em maio pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e em fase de implantação pelo país, deve abrir margem para o barateamento das apólices de seguro de veículos e para o lançamento de uma modalidade popular, que se valha de peças reutilizadas. Não há, porém, prazo para que isso aconteça. 

O setor de seguros trabalha com essas duas perspectivas e se baseia nos resultados da experiência de São Paulo, onde uma lei estadual idêntica vigora há mais de um ano e rendeu resultados positivos. Mas as empresas alertam para a necessidade de fiscalização rigorosa, de forma que a medida se efetive e permita o desenvolvimento do mercado. 

A projeção de queda no preço das apólices se sustenta na expectativa de redução de furtos e roubos de veículos, a partir do fechamento de desmanches clandestinos, o desmonte de automóveis passaria a ser feito por empresas cadastradas e supervisionadas. Espera-se que a carência de receptadores iniba a atividade criminosa e se reflita na precificação do seguro, pois o risco de sinistros entra no cálculo do custo do seguro.

Em São Paulo, a fiscalização fechou, em um ano, 671 desmanches irregulares, de 1.132 fiscalizados. O número de furtos e roubos caiu 11% e 25%, respectivamente, após a lei. Com isso, a Porto Seguro, por exemplo, baixou em até 10% o preço das apólices.

O impacto da esperada redução de crimes no Paraná, porém, deve variar conforme a região. Diretor de automóvel da HDI Seguros, Fábio Leme explica que, em cidades menores, fatores como risco de colisão são mais relevantes, logo, o barateamento deve ser menor. Ele afirma que, em cidades pequenas e médias, roubos e furtos respondem por até 45% dos sinistros da companhia, índice que sobe para 60%, no caso de municípios maiores.

Além disso, um eventual aumento no custo de outro item pode anular esse efeito. É o que está acontecendo com o valor de peças novas, segundo o diretor executivo da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Neival Freitas. Ele diz que as despesas com esse elemento estão em alta e impedem, no caso de São Paulo, que haja redução significativa no valor das apólices.

Momento                                                                                          

A regulamentação da atividade de desmanche vem um momento em que o segmento de seguros enfrenta certa dificuldade, diante da queda na venda de veículos novos, que chegou a 20,7% no primeiro semestre deste ano.

O problema afeta o mercado de apólices, já que, conforme a FenSeg, cerca de 85% dos carros novos têm seguro . Embora o mercado de usados esteja aquecido, a adesão a esse produto é menor e incapaz de equilibrar o setor. “O mercado de seguros vem crescendo de 10% a 15% na última década. Mas, neste ano, os dados já indicam um crescimento de 9%. Descontando-se a inflação, o mercado não está crescendo, está caminhando de lado”, diz Bruno Garfinkel, diretor da Porto Seguro.

“Seguro popular” deve atender carros antigos

Um impacto esperado com a regulamentação do mercado de desmanches é o uso de peças de segunda mão pelas seguradoras, que tornaria viável a oferta de uma espécie de “seguro popular”, mais barato, em razão da origem das peças. A criação desse mercado depende de regulamentação da Superintendência de Seguros Privados (Susep), que informou não ter informações sobre o andamento do processo.

A ideia é oferecer a nova modalidade a carros com mais tempo de rodagem, em torno de cinco anos, por exemplo, cujas peças, quando novas, são muito caras em relação ao valor do automóvel. Com peças remanufaturadas ou reutilizadas, o custo seria mais acessível. “Uma peca de 3 mil vai corresponder a 10% do valor de um carro novo, de R$ 30 mil. Mas, se for um veículo com dez anos de uso e que vale R$ 12 mil, a mesma peca representa 25% do valor” explica Neival Freitas, diretor da FenSeg.

A Porto Seguro estima que seja possível trabalhar com margem de até 30% de redução de preço, nessa nova modalidade. Vislumbrando potencial na nova área, a empresa já tem um braço que trabalha com peças usadas, a Renova Ecopeças, que funciona no formato de e-commerce, com foco no consumidor final.

O mercado é considerado promissor. Estimativas da FenSeg indicam que apenas 20% dos cerca de 20 milhões de veículos com mais de cinco anos em circulação são segurados, o potencial de clientes, portanto, gira em torno de 16 milhões.

A formação desse mercado não tem prazo para acontecer. Além da necessidade de regulamentação da Susep, é preciso que se consolide um sistema eficiente de recebimento, classificação e distribuição de peças. “Existem 29 tipos diferente de para-brisas para o Pálio. Se o cliente contratar esse tipo seguro, teremos de saber onde estará disponível uma peça usada e certificada”, exemplifica Fabio Leme, diretor de automóvel da HDI.

Detran prepara fiscalização

O Detran/PR diz que está se preparando para realizar a fiscalização da lei no estado. Diretor-geral do órgão, Marcos Traad afirma que uma comissão sendo formada com diferentes órgãos envolvidos no trabalho, como autoridades policiais. O grupo deve ir a São Paulo, para verificar a experiência desse estado.

Preço de algumas apólices caiu em SP

São Paulo foi pioneiro na implantação de uma lei análoga à nacional. A legislação local (Lei do Desmonte, nº 15.276/2014) completou um ano de vigor no início deste mês e é considerada bem-sucedida. O estado registrou redução no volume de furtos e roubos de veículos. Em consequência, seguradoras conseguiram baixar o valor de apólices em algumas praças.

O número de crimes do gênero caiu 11% (furtos) e 25% (roubos) neste ano, até maio, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Parte da redução é atribuída pelos órgãos públicos do estado à vigência da Lei. A fiscalização, feita por DetranSP, Secretaria de Segurança Pública, Secretaria da Fazenda e prefeituras locais, fechou, em um ano, 671 desmanches irregulares, de um total de 1.132 fiscalizados. Na capital, foram 243 ações de averiguação, com 132 fechamentos.

Esse cenário permitiu que a Porto Seguro reduzisse em até 10% o preço das apólices de determinadas categorias de seguro em algumas cidades. Diretor da Porto Seguro, Bruno Garfinkel explica que, nas categorias mais completas, em que as coberturas são amplas, o barateamento não se repetiu, em razão da alta no valor de peças importadas.

O estado se prepara agora para implantar um sistema de controle e distribuição de autopeças, que deve abastecer também consumidores comuns. Os itens serão etiquetados, com informações sobre procedência, e receberão um QR Code, que poderá ser lido pelos telefones celulares dos compradores, de forma a verificar a origem da peça.


Fonte:
Gazeta do Povo - Paraná
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