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18/02/2015

Tendência no Brasil, desmontagem sustentável de veículos traz benefícios ambientais, de segurança e viabilização do seguro popular. 

Desde o início dos anos 2000, como frisa o gerente executivo de recuperação de receita da BB e Mapfre, Newton Redua, as seguradoras estudam o mercado europeu, por exemplo, para conhecer boas práticas de destinação dos veículos e adaptá-las aos processos operacionais e realidade do Brasil.

De acordo com ele, a seguradora conta com um projeto estruturado e consolidado para a reciclagem dos veículos sinistrados. Até outubro de 2013, foram recicladas 82 toneladas.

Pelo fato de as regulamentações que abordam o tema reciclagem de veículo serem relativamente novas, Redua considera que o mercado para esse tipo de prestação de serviço no Brasil está em fase de desenvolvimento, mas pondera que já existem empresas que suprem a atual necessidade.

“A reciclagem é uma tendência mundial. Os maiores países produtores de veículos já se enquadraram nesta tratativa e o Brasil, como uma das principais indústrias, caminhará naturalmente neste sentido”. Ele também menciona os benefícios ambientais e econômicos gerados pela reciclagem.

Conforme o diretor de sinistro auto e massificados da SulAmérica, Renato Roperto, legislações como a Lei do Desmanche e a Política Nacional de Resíduos Sólidos são exemplos de que o mercado de seguros acompanha questões inerentes à correta destinação do veículo em fim de vida útil ou de suas peças.

Ele observa que a prestação de serviço de reciclagem ainda está concentrada nos grandes centros urbanos, principalmente em São Paulo, onde a legislação já está em vigor. Apesar do desenvolvimento em outras localidades, em sua visão, há uma carência de esforço logístico para cobrir a dispersão geográfica das ocorrências.

O tratamento dado pela SulAmérica para os veículos sinistrados é segmentado, comenta, de acordo com a legislação vigente. “Ou seja, separamos os veículos com pequenos, médios e grandes danos. Os veículos classificados com danos de grande intensidade são impedidos de voltar a circular e têm destinação via desmontagem de componentes para reuso ou reciclagem”.

Aliada da desmontagem

Uma importante aliada da prática de reciclagem sustentável de veículos é a Lei federal 12.977/14, que regula e disciplina a atividade de desmontagem de veículos no Brasil, conforme o diretor executivo da Fenseg, Neival Rodrigues Freitas.

De acordo com ele, os benefícios da lei vão além do mercado, pois atingem toda a sociedade, por questões que envolvem segurança pública, como a ocorrência de latrocínios, principal causa da morte urbana atualmente, além do fato de grande parte dos veículos roubados ser destinada a desmanches clandestinos.

Freitas destaca que a lei determina que a empresa que irá operar com desmontagem seja regularizada, que seus proprietários sejam identificados e tenham a ficha limpa, os veículos para o processo sejam registrados e que as peças reaproveitadas deverão ser marcadas e integrar um grande banco de dados, o que dará rastreabilidade às peças. “Isso faz com que os desmanches clandestinos não tenham como continuar operando”.

Com a aprovação da lei, as seguradoras poderão vender os veículos irrecuperáveis para as empresas de desmontagem, pela possibilidade de reaproveitamento das peças. “A partir do momento em que houver peças identificadas e que tenham rastreabilidade, poderemos conseguir junto à Susep que seja aprovado o seguro popular de automóveis”.

Na visão do 1° vice-presidente do Sincor-SP, Boris Ber, o Brasil ainda engatinha na questão da reciclagem automotiva sustentável, mas ele pondera que há empresas em preparo para a venda de peças recuperadas com procedência.

Ber acredita que para as seguradoras garantirem um final de vida correto aos veículos com danos irreparáveis, mas que contam  com peças que podem ser reutilizadas, é preciso investir em serviços, divulgação e incentivo a boas práticas.

A reciclagem é uma tendência no Brasil, em sua visão. “As crianças aprendem hoje na escola, resta-nos ensinar em nossas casas, exigir que os órgãos públicos façam sua parte. E no mercado de seguros, façamos a prevenção, para evitarmos um colapso nas nossas cidades e no mundo”, conclama.

Prestação de serviço

A entrada em vigor da Lei do Desmonte impulsionará a desmontagem sustentável de veículos, acredita o diretor de marketing e desenvolvimento da JR Diesel, Arthur Rufino.

Em comparação a outros países, essa prestação de serviço no Brasil ainda está longe do ideal. O Japão, comenta, desmontou 3,6 milhões de veículos em 2011, enquanto o Brasil fabricou em torno de três milhões. “Eles têm a cultura da reciclagem muito bem estabelecida, têm o conceito de fim de vida de um veículo, em média cinco anos de idade”.

A JR Diesel, na maioria das vezes, adquire veículos sinistrados em leilões promovidos por seguradoras. Após isso o processo de desmontagem engloba a descontaminação dos veículos; processo de rastreabilidade, com a utilização de um código sequencial que consta fotos do veículo antes da desmontagem, nota fiscal de compra, documentações, baixa definitiva no Detran, dados que são armazenados.

À medida que o caminhão é desmontado, são identificadas todas as peças com o código de rastreabilidade, para que tanto no estoque da empresa, quanto no pós-venda, seja possível relacionar a peça à sua origem.

Após o processo de desmontagem, explica, as peças são submetidas ao departamento de qualidade e recebem notas de A a C, respectivamente em perfeitas condições de  reuso; com algum tipo de avaria, mas comercializada ao consumidor final com um preço menor; e a que não pode ser revendida para o consumidor.

Processo de desmontagem

Na Renova Ecopeças, empresa de reciclagem e reaproveitamento de peças automotivas da Porto Seguro, o processo de reciclagem é iniciado com a descontaminação dos carros, encaminhamento dos materiais para as empresas especializadas em reciclagem, processamento e transformação de cada um dos resíduos, o que possibilita o reaproveitamento em diversos segmentos e aplicações.

“Em seguida, acontece a desmontagem das peças móveis de lataria, remoção dos itens de tapeçaria, vidros, componentes mecânicos, itens de segurança, componentes elétricos e eletrônicos e, finalmente, o recorte do monobloco”, explica o gerente da Renova Ecopeças, Fabio Frasson.

As peças são submetidas a uma triagem para classificação quanto à qualidade, ou seja, condição de aproveitamento. As classificações definem, respectivamente peças em perfeito estados, com pequenas avarias estéticas, e as rejeitadas pelo processo de qualidade, sem condições para venda, ou que não podem ser comercializadas para o consumidor final. Essas peças são enviadas aos fabricantes para remanufatura ou seguem para reciclagem e são transformadas em matéria prima.


Fonte:
Revista Cobertura Mercado de Seguros
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